Sumário do CBIS 2016

O XV Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS 2016) encerrou ontem (dia 30/11/2016), após quatro dias de palestras, simpósios, painéis e conferências. Aproveito a oportunidade para fazer uma súmula sobre os principais assuntos que tiveram destaque no congresso.

Padronização e Interoperabilidade

Durante todo o congresso falou-se muito sobre padronizações e seus agentes, mas nota-se que ainda há muito campo a ser conquistado. O cenário que vivemos hoje é que cada país e/ou organização quer ter o seu próprio padrão. Precisamos evoluir muito ainda no sentido da convergência e compatibilidade destes padrões.

A impressão que eu tive é que esta discussão ainda está muito no campo teórico, e resta aos fabricantes incorporar nos seus sistemas conectores para o maior número possível de padrões. O conceito dos connectathons, espécie de hackatons com foco em conectividade, foi bastante mencionado como uma ferramenta para os fabricantes incorporarem o suporte a padrões em seus produtos.

Um ponto interessante a ser destacado a respeito do cenário brasileiro é que falta mão de obra qualificada com compreensão dos padrões, mesmo nos próprios fabricantes dos produtos. Uma das sessões orais que presenciei levantou esta questão muito claramente, onde a solução foi buscar um especialista na matriz do fornecedor, fora do país.

A criação das normas brasileiras a espelho da ISO é outro ponto que teve bastante destaque. E mais uma vez, faltam pessoas para contribuir com a evolução dos trabalhos. O interessante é que todos os grupos de trabalho estão requisitando voluntários para contribuir com o processo, e foi bastante comentada a necessidade da própria comunidade participar para que o padrão saia realmente de acordo com o que se espera na prática do dia-a-dia.

Segurança da Informação

Esta foi uma surpresa muito positiva do congresso, ver que cada vez mais os serviços de saúde estão se preocupando com o ponto de vista da segurança da informação. A digitalização dos serviços com o crescente emprego da tecnologia da informação é uma necessidade que todos conhecem, com inúmeros benefícios, porém olhar para a informatização sem pensar em segurança pode criar um problema muito sério de vulnerabilidade do serviço.

No segundo dia do evento um painel de consultores da Deloitte mostrou algumas tendências do setor de segurança da informação que serviu como uma boa introdução sobre o tema. No dia seguinte, o Simpósio de Segurança da Informação em Saúde abordou cases específicos do setor de saúde, com participação de representantes do governo, operadoras e prestadores de serviço.

Chama bastante a atenção o nível de preocupação das instituições com eventos de segurança. Não se fala mais simplesmente em trocas de senha periódicas, malwares ou simples configurações de firewall.

A preocupação agora é com ataques muito mais complexos, como por exemplo, o ransomware, a invasão por hackers com roubo de informações e a exposição de dados sigilosos via darknet e, até mesmo, o ataque a dispositivos médicos com potenciais catastróficos para os pacientes que dependem deles. É bom saber que hoje as instituições têm esta preocupação com segurança, coisa que há 2 anos atrás não se ouvia falar muito.

Até mesmo modelos de adoção de tecnologia como o Acute Care EMRAM da HIMSS Analytics trouxe como novidade o grande enfoque em segurança da informação. Agora, além do processo de informatização e eliminação do papel, entre outros, o modelo prevê políticas de segurança com complexidade incremental a medida que aumenta nível de maturidade da instituição.

Educação em Informática Médica

Foi uma experiência muito enriquecedora o keynote do professor Ricardo Correia da Universidade do Porto sobre Educação na Informática Médica. Ver como a informática foi incorporada no curso de graduação em Medicina da Universidade do Porto foi surpreendente.

Tendo vivido parte da minha graduação na Medicina isto sequer me passaria pela cabeça espontaneamente. Adicionalmente, suas considerações sobre o armazenamento de dados de saúde e a sua longevidade foram muito precisas: não basta guardar a resposta, precisamos também guardar as perguntas. Coisa que o pessoal da informática nunca aprendeu (eu inclusa). Mas agora estamos de olhos abertos.

Big Data Analytics

Este talvez seja o ponto fraco do congresso. O tema estava presente nos pôsteres e nas sessões orais, porém faltou uma presença mais forte nas sessões principais, como os keynotes ou simpósios. Era possível perceber a sua presença oculta na fala de alguns palestrantes, mas o termo Big Data surgiu muito pouco e sempre como um assunto secundário. Fica como sugestão para os organizadores trazerem um pouco mais sobre isso nas próximas edições.

Considerações Finais

O congresso de maneira geral superou todas as minhas expectativas. Foi uma experiência bastante enriquecedora e uma reciclagem muito necessária uma vez que o campo da Informática em Saúde tem ganhado momento e as inovações estão ocorrendo cada vez mais rapidamente. Além disso, a presença de uma autoridade como o Ministro da Saúde na abertura ajudou a dar peso ao evento, mostrando a relevância do tema no âmbito da estratégia nacional de saúde.

Caso você tenha interesse em saber um pouco mais sobre o que aconteceu em cada dia do congresso, as minhas anotações sobre eles podem ser lidas nos links abaixo:

Dia 1: Destaques do Primeiro dia do CBIS 2016

Dia 2: Como foi o segundo dia do CBIS 2016

Dia 3: CBIS 2016 – Terceiro Dia

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2 comentários sobre “Sumário do CBIS 2016

  1. Daniela, adorei seus posts sobre o congresso. Concordo com você em muitos aspectos.
    Realmente precisamos de maior envolvimento da comunidade de Informática em Saúde.
    Abraços,

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